generalEl legado de Hanshin Oshiro: La maestría de los instrumentos de Okinawa en Campo Grande
Antes de ser conhecido como mestre na fabricação de instrumentos tradicionais de Okinawa, o japonês Sensei Hanshin Oshiro construiu a vida como marceneiro em Campo Grande. Foi trabalhando com madeira que ele descobriu um novo caminho e passou a fabricar taikos e sanshin, instrumentos que levaram o nome dele para todo o País. A história do artesão foi resgatada nesta terça-feira (7), durante um workshop sobre música e cultura de Okinawa realizado em Campo Grande. A atividade integra o projeto “Taiko, despertar da música do Sol Nascente em Campo Grande”. Filho de Hanshin, Aldo Hanshin Oshiro conta que o pai chegou ao Brasil em 1937 para trabalhar na lavoura de café. Depois, seguiu para Campo Grande, onde começou a trabalhar como marceneiro. Foi nessa profissão que ele desenvolveu uma habilidade que, anos mais tarde, faria dele uma referência na fabricação de instrumentos. “Meu pai desenvolveu principalmente aqui. Por causa da matéria-prima”, lembra Aldo. O nome de nascimento do artesão era Shigenobu Oshiro. Durante o processo de entrada e naturalização no Brasil, passou a ser chamado de Hanshin Oshiro, nome pelo qual ficou conhecido anos depois. Aldo lembra que o pai não reproduzia simplesmente os instrumentos que conhecia. Ele observava materiais disponíveis no Brasil e criava suas próprias soluções. Para construir o taiko, descobriu que a madeira caxeta, leve e resistente, poderia ser utilizada. As peças eram cortadas em formato de gomos e depois encaixadas até formar o corpo do tambor. A pele também precisava de um cuidado especial. O couro de vaca cru era colocado na água e moldado diretamente sobre o instrumento para ganhar o formato adequado. E até as tachinhas tinham segredo. “Ele descobriu que o pino não poderia ser liso. Precisava ser áspero para ficar preso ao tambor e resistir à vibração produzida durante a execução. Ele teve muitas técnicas”, conta o filho. Os instrumentos fabricados em Campo Grande passaram a ser enviados para outros estados, como São Paulo (SP), Paraná e Brasília (DF). O trabalho de Hanshin também ganhou reconhecimento em Okinawa. A relação de Hanshin com a música não ficou restrita à fabricação. Ele também ensinou pessoas que até hoje mantêm contato com o taiko e a cultura okinawana. Um desses alunos é Crystian Proença, embaixador da boa vontade de Okinawa e responsável pelo workshop. Crystian conta que foi o último aluno do Sensei Hanshin. “Quando eu comecei a aprender com ele, ele me explicava muita coisa em português. Então hoje, transmitindo o legado dele, eu tento transmitir também em português as músicas”, explica. Para Crystian , levar o workshop para fora da comunidade japonesa é justamente uma maneira de fazer a tradição alcançar quem nunca teve contato com ela. “O intuito é trazer para fora da associação, para fora da comunidade okinawana e direcionar para a comunidade campo-grandense a cultura”, afirma. O próprio Crystian não é descendente de japoneses. Para se aproximar da tradição, estudou a língua japonesa e passou a trabalhar com as músicas de Okinawa. Hanshin morreu há nove anos, aos 92 anos. Mas, segundo o filho, a lembrança dele continua muito presente entre quem aprendeu com o mestre. Aldo diz que basta mencionar o nome do pai para perceber a reação dos antigos alunos. “Quando fala meu pai, os olhos brilham”, conta. A família agora tenta registrar a trajetória do artesão. Aldo e a esposa chegaram a viajar ao Japão para pesquisar informações e reunir material para uma futura biografia. A preocupação é que o conhecimento acumulado ao longo de décadas não desapareça. “Tem que renovar, tem que registrar essa história, porque nossos velhos estão partindo e a história está indo junto”, afirma. A história de Hanshin também está ligada à família de Odon Inacasato, organizador do projeto ao lado da esposa, Denize vicintin. Neto de japoneses, ele cresceu ouvindo o pai tocar o sanshin, em uma tradição que passou de geração para geração. Quando ainda era criança, Odon ganhou um instrumento fabricado pelo próprio Hanshin e aprendeu a tocar acompanhando o pai. “Eu acompanhava, de ouvido mesmo”, lembra. Foi essa memória familiar que ajudou a transformar a homenagem em um projeto maior. A ideia inicial era homenagear Hanshin por meio de uma música. Depois, os organizadores decidiram ampliar a proposta para apresentar a cultura de Okinawa à população de Campo Grande. No workshop, o passado e o presente se encontraram. De um lado, a memória de quem ajudou a construir instrumentos à mão. Do outro, músicos e alunos que continuam tocando e ensinando. “A tradição passou de avô para pai, de pai para filho. Hoje, a gente quer que ela continue chegando a outras pessoas, para que essa história não fique só dentro da família, mas faça parte também da história de Campo Grande”, finaliza.
jueves, 8 de octubre de 2026, 11:50
BR
campograndenews
La ciudad de Campo Grande, en Brasil, se convirtió recientemente en el escenario de un encuentro donde la memoria y la música se entrelazaron para honrar la vida y obra de Hanshin Oshiro. El pasado martes 7, se llevó a cabo un workshop dedicado a la música y la cultura de Okinawa, una actividad que forma parte del proyecto denominado “Taiko, despertar da música do Sol Nascente em Campo Grande”. El evento no solo buscó difundir el arte sonoro, sino rescatar la trayectoria de un hombre que transformó su oficio de carpintero en un puente cultural entre Japón y Brasil.
La historia de Hanshin Oshiro comienza mucho antes de que fuera reconocido como un maestro en la fabricación de instrumentos tradicionales. Nacido como Shigenobu Oshiro, llegó a territorio brasileño en 1937 con el propósito inicial de trabajar en las plantaciones de café. Posteriormente, se trasladó a Campo Grande, donde se estableció como carpintero. Fue precisamente en el trabajo con la madera donde Oshiro comenzó a desarrollar las habilidades técnicas que, años más adelantados, lo posicionarían como una referencia nacional en la creación de taikos y sanshins.
Según relata su hijo, Aldo Henshin Oshiro, el desarrollo de la maestría de su padre estuvo íntimamente ligado a la disponibilidad de materia prima en la región. Hanshin no se limitó a reproducir los instrumentos que conocía de su tierra natal; en su lugar, observó los materiales locales y creó soluciones innovadoras para adaptarlos a la tradición okinawana.
Para la construcción del taiko, el tambor tradicional, Hanshin descubrió que la madera caxeta era la opción ideal debido a que es ligera y resistente. El proceso implicaba cortar las piezas en forma de gomos, que luego eran ensambladas cuidadosamente hasta formar el cuerpo del instrumento. El cuidado se extendía también a la piel del tambor, utilizando cuero de vaca crudo que era sumergido en agua y moldeado directamente sobre el instrumento para lograr la forma correcta. Incluso los detalles más pequeños, como las tachuelas, tenían un secreto técnico: Hanshin determinó que los pines no podían ser lisos, sino ásperos, para asegurar que permanecieran sujetos al tambor y pudieran resistir la fuerte vibración generada durante la ejecución musical.
El reconocimiento de su trabajo trascendió las fronteras de Campo Grande. Los instrumentos fabricados por el maestro comenzaron a ser solicitados y enviados a otros estados brasileños, incluyendo São Paulo, Paraná y el Distrito Federal (Brasilia). Esta calidad artesanal llegó a ser reconocida incluso en Okinawa, Japón.
Más allá de la fabricación, Hanshin Oshiro se dedicó a la enseñanza. Uno de sus alumnos más destacados fue Crystian Proença, quien se desempeña como embajador de la buena voluntad de Okinawa y fue el último estudiante del maestro. Proença, quien no es descendente de japoneses pero estudió el idioma y la música para acercarse a esta tradición, destacó que Hanshin le enseñaba muchas explicaciones en portugués. Actualmente, Proença busca transmitir ese legado utilizando el mismo idioma para que la cultura de Okinawa alcance a personas fuera de la comunidad japonesa y se integre a la comunidad general de Campo Grande.
Hanshin falleció hace nueve años, a la edad de 92 años, pero su impacto sigue vigente. Aldo Oshiro menciona que el nombre de su padre aún provoca una reacción emocional profunda en sus antiguos alumnos. Debido a esto, la familia se encuentra trabajando en el registro formal de su trayectoria. Aldo y su esposa han viajado a Japón para investigar y reunir material destinado a la escritura de una biografía, impulsados por la preocupación de que el conocimiento acumulado durante décadas desaparezca con el tiempo.
El proyecto actual también cuenta con la organización de Odon Inacasato y su esposa, Denize Vicintin. Inacasato, nieto de japoneses, creció escuchando a su padre tocar el sanshin y recibió de niño un instrumento fabricado por el propio Hanshin, con el cual aprendió a tocar de oído. Lo que comenzó como la idea de rendir un homenaje musical a Hanshin se transformó en un proyecto más amplio para presentar la cultura de Okinawa a toda la población.
El workshop representó el punto de encuentro entre el pasado artesanal y el presente musical, asegurando que la tradición, que pasó de abuelos a padres y de padres a hijos, continúe expandiéndose para formar parte de la historia colectiva de Campo Grande.