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Ideologías opuestas, objetivo común: Trad y Catan desafían la hegemonía de Riedel en Mato Grosso do Sul

Um fosso ideológico separa os candidatos ao governo, Fábio Trad (PT) e João Henrique Catan (Novo), mas eles têm também entendimento e objetivos convergentes. Os dois sabem que, para levar a eleição ao segundo turno, precisam tirar uma lasca do capital eleitoral acumulado pelo governador Eduardo Riedel (PP e mais oito partidos), favorito nas pesquisas. Os principais flancos a serem atacados são o modelo econômico e o projeto político que os dois identificam como concentrador e uma tentativa de prolongar o domínio do grupo liderado pelo ex-governador Reinaldo Azambuja (PL), candidato ao Senado, sobre o poder em Mato Grosso do Sul. Trad é mais direto e corrosivo sobre as causas. Atribui à falta de oposição nos últimos 15 anos a dificuldade de a sociedade enxergar a possibilidade de uma alternativa que combine desenvolvimento e proteção social. “O modelo de Reinaldo e Riedel massacrou a oposição por intimidação, truculência e cooptação”, afirma. Embora frise que há exceções entre jornalistas e veículos de comunicação, ele diz que a ascensão do grupo contou ainda com “uma certa complacência da mídia”, produzindo “um monopólio opressivo que envenenou o oxigênio da democracia no Estado”. Catan não usa a mesma linguagem. Sua crítica parte da direita e da experiência de quem rompeu com o campo político que hoje apoia Riedel. Ele reivindica para si o papel de representante da “verdadeira direita” e diz não querer administrar o Estado tal como está, mas “reformá-lo”. A convergência entre os dois, portanto, não é ideológica. É a percepção de que a eleição oferece uma oportunidade para contestar uma estrutura de poder que, embora por razões diferentes, ambos consideram necessário modificar. Depois dos números - A crítica mais interessante que emerge das duas entrevistas que os candidatos deram ao Campo Grande News está na maneira como olham para o crescimento econômico de Mato Grosso do Sul. Nenhum dos dois nega a expansão do agro, da celulose, da infraestrutura ou dos investimentos privados. O que recusam é a transformação desses resultados em prova suficiente de que o modelo de governo deve continuar sem alterações ou como “monopólio”, já que, no grosso dos investimentos, há também uma presença forte do governo federal e da iniciativa privada. Trad pergunta quem participa dos efeitos desse crescimento. Ao falar do agronegócio, toma o cuidado de não transformá-lo em adversário, mas faz distinção entre a atividade concentradora de riqueza e a que produz impactos sociais positivos. O problema, para o candidato, é que o agro precisa “agregar valor” à produção para criar empregos de qualidade, e não apenas postos de trabalho sub-remunerados ligados à atividade agroexportadora. A crítica se estende às comunidades que, segundo ele, ficaram fora da agenda econômica. Na experiência que acumulou na pré-campanha, Trad afirma ter encontrado entre indígenas, assentados, acampados, quilombolas e trabalhadores rurais uma “sensação de abandono”. E não atribui isso simplesmente à falta de dinheiro. “O Governo do Estado fez uma escolha”, diz. É, segundo ele, uma “deliberação de modelo econômico” marcada pela “preterição, o alijamento, a exclusão dessas comunidades da mesa”. Catan chega à avaliação parecida por outro caminho. Sua dúvida é quanto dos grandes resultados econômicos pode ser creditado à ação específica do governo. A expansão de setores como celulose e agro e a chegada de grandes investimentos, na sua avaliação, não podem ser automaticamente transformadas em demonstração de eficiência administrativa. Há uma diferença, sustenta, entre o Estado criar condições para a atividade econômica e atribuir a si próprio o mérito integral pelo que resulta da iniciativa privada. “Somos contra a ideia de que basta anunciar bilhões em investimentos para considerar que todos os problemas do Estado foram resolvidos.” Sua estratégia é mostrar que grandes investimentos “são resultado da combinação de capital privado, decisões federais, estaduais e municipais, e não patrimônio político de um único governo”. Ele lembra que grandes projetos hoje materializados tiveram início há 30 anos. Caminhos da mudança - A distância entre os dois aparece quando a pergunta passa a ser o que fazer depois da crítica. Trad não quer desmontar o papel do Estado. Quer ampliá-lo justamente onde identifica precariedade. Sua tese é que o desenvolvimento precisa ser acompanhado de políticas sociais e de participação efetiva dos segmentos que considera excluídos. “Vou insistir na tese de que é possível, sim, um modelo democrático em que todos os segmentos da sociedade participem”, afirma. Catan propõe a direção contrária. Se Trad enxerga insuficiência na presença do Estado, Catan enxerga excesso, ineficiência e distorções. A reforma que propõe passa por reduzir burocracia, rever incentivos, combater privilégios e criar condições para que a iniciativa privada tenha mais liberdade para produzir. Seu argumento não é que Mato Grosso do Sul deva deixar de crescer, mas que o governo não deve se apropriar de tudo o que cresce nem ocupar espaços que poderiam ser preenchidos por quem produz. A diferença pode ser resumida pelo próprio vocabulário dos dois. Trad fala em “cuidado com as pessoas que mais sofrem” e atribui ao Estado um compromisso ético de intervir diante de “precariedades estruturais”. Catan fala em reformar o Estado para torná-lo mais eficiente e menos pesado para quem produz. A ruptura que os dois oferecem, portanto, não é a mesma. Trad pretende corrigir o modelo pela dimensão social; Catan, pela dimensão liberal. A hegemonia como problema - A concentração política é outro ponto em que revelam mais do que o discurso público já conhecido. Trad transforma a ausência de oposição em uma das explicações para a força do modelo. Não fala apenas de vitória eleitoral ou de maioria parlamentar. Diz que a oposição foi “massacrada” por diferentes mecanismos e que isso produziu uma espécie de anestesia na sociedade. “A gente anestesiou a percepção da sociedade”, afirma. Fábio Trad filiou-se ao PT em agosto do ano passado, dois meses depois que o partido, para atraí-lo, decidiu deixar o governo estadual, entregando cargos que ocupou por 30 meses, o que contribuiu decisivamente para que Riedel governasse sem oposição. Trad ressalva que há exceções, mas avalia que o domínio político também contou com a complacência de parte da mídia e que se criou “uma espécie de monstro”, um “monopólio opressivo” que teria sufocado o ambiente democrático. A acusação é uma das mais duras feitas pelo candidato e ajuda a explicar por que sua campanha pretende apresentar não apenas uma alternativa de governo, mas uma alternativa de poder. Catan chega ao tema por sua própria trajetória. A ruptura com o grupo político que apoia Riedel ocorreu dentro da direita. Ao deixar o PL e migrar para o Novo, passou a disputar justamente o eleitor que considera que o governador não representa a direita que deveria ocupar o governo. Sua crítica, portanto, não é a de quem quer deslocar o Estado para a esquerda, mas a de quem considera que o campo da direita também precisa de uma alternativa ao arranjo atual. Os dois questionam a hegemonia por motivos diferentes: Trad vê a continuidade como problema porque considera que o crescimento não incorporou suficientemente a dimensão social e porque a hegemonia política reduziu o espaço da oposição, além de fechar as portas para a alternância no poder, princípio saudável à democracia. Catan vê a continuidade como problema porque considera que o Estado precisa ser reformado e que a direita, com seu leque de perfis, precisa de uma alternativa própria ao grupo que hoje governa. É essa combinação que pode dar densidade à disputa pelos votos de oposição. Trad e Catan não formam uma frente comum e tampouco oferecem o mesmo projeto. O que os une é a tentativa de abrir uma brecha no projeto de poder representado por Reinaldo e Riedel. Se contarem com a ajuda dos outros cinco candidatos e conseguirem quebrar o favoritismo do grupo dominante, o imponderável ditaria a formação do tabuleiro num eventual segundo turno.

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Ideologías opuestas, objetivo común: Trad y Catan desafían la hegemonía de Riedel en Mato Grosso do Sul

En el escenario político de Mato Grosso do Sul, se ha configurado una dinámica electoral peculiar donde la divergencia ideológica cede paso a una convergencia estratégica. Fábio Trad, representante del Partido de los Trabajadores (PT), y João Henrique Catan, del partido Novo, se encuentran en extremos opuestos del espectro político; sin embargo, ambos comparten un objetivo fundamental: romper el dominio político y económico ejercido por el actual gobernador Eduardo Riedel (PP) y el grupo liderado por el exgobernador Reinaldo Azambuja (PL).

Para ambos candidatos, la meta inmediata es erosionar el capital electoral acumulado por Riedel, quien llega a los comicios como el favorito en las encuestas y cuenta con el respaldo de una coalición de nueve partidos. Trad y Catan comprenden que, para forzar una segunda vuelta electoral, es imperativo restar apoyo al modelo de gobernanza actual, el cual identifican como una estructura concentradora de poder que busca prolongar la influencia de Reinaldo Azambuja, quien actualmente es candidato al Senado.

Fábio Trad ha adoptado un tono directo y corrosivo en sus críticas. El candidato del PT sostiene que la dificultad de la sociedad para vislumbrar alternativas que combinen el desarrollo económico con la protección social es consecuencia de la falta de una oposición real durante los últimos 15 años. Según Trad, el modelo implementado por Azambuja y Riedel ha logrado anular a sus adversarios mediante mecanismos de "intimidation, truculencia y cooptación". Asimismo, el candidato ha señalado que este proceso de consolidación del poder contó con una "cierta complacencia de la mídia", lo que, a su juicio, resultó en un "monopolio opresivo" que ha afectado la salud democrática del estado.

Por su parte, João Henrique Catan plantea su crítica desde una perspectiva liberal y desde su propia trayectoria política. Tras romper con el campo político que hoy respalda a Riedel y migrar del PL al partido Novo, Catan se posiciona como el representante de la "verdadera derecha". Su objetivo no es administrar el Estado bajo las condiciones actuales, sino reformarlo profundamente. Aunque su lenguaje es distinto al de Trad, su conclusión es similar: existe una estructura de poder que debe ser modificada para permitir una gestión más eficiente y menos burocrática.

Uno de los puntos más analizables de esta disputa es la visión sobre el crecimiento económico de Mato Grosso do Sul. Ni Trad ni Catan niegan la expansión de sectores clave como el agronegocio, la celulosa o la infraestructura. No obstante, ambos rechazan que estos resultados sean prueba suficiente para mantener el modelo de gobierno actual sin cambios.

Trad cuestiona quiénes son los beneficiarios reales de dicho crecimiento. Si bien evita convertir al agronegocio en un adversario, distingue entre la actividad que concentra riqueza y aquella que genera impactos sociales positivos. El candidato del PT argumenta que el sector debe "agregar valor" a la producción para crear empleos de calidad, evitando que se limiten a puestos sub-remunerados. Además, denuncia una "sensación de abandono" en comunidades indígenas, quilombolas, asentados y trabajadores rurales, afirmando que su exclusión no es producto de la falta de recursos, sino de una "deliberación de modelo económico".

Catan, en cambio, cuestiona la atribución de los logros económicos. Para él, la expansión de la celulosa y el agro, así como la llegada de inversiones privadas, no pueden traducirse automáticamente en eficiencia administrativa del gobierno estatal. Sostiene que hay una diferencia clara entre crear condiciones para la actividad económica y atribuirse el mérito integral de resultados que provienen de la iniciativa privada y de decisiones federales y municipales. Catan critica la narrativa de que el anuncio de inversiones multimillonarias resuelve todos los problemas del Estado, recordando que muchos proyectos actuales comenzaron hace tres décadas.

En cuanto a las soluciones, los caminos divergen drásticamente. Trad propone ampliar el papel del Estado para intervenir en las precariedades estructurales y garantizar que todos los segmentos sociales participen en el desarrollo. Catan, inversamente, propone reducir el peso del Estado, combatir privilegios, eliminar la burocracia y otorgar mayor libertad a la iniciativa privada.

Mientras Trad busca corregir el modelo desde la dimensión social, Catan pretende hacerlo desde la dimensión liberal. A pesar de estas diferencias, ambos coinciden en que la hegemonía política actual es un problema. Para Trad, la ausencia de oposición ha "anestesiado" la percepción social; para Catan, el campo de la derecha necesita una alternativa al arreglo actual. En última instancia, la capacidad de estos candidatos, junto a otros cinco contendientes, para romper el favoritismo del grupo dominante determinará si el tablero electoral se reconfigurará en un eventual segundo turno.

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