generalCaos en el transporte de Campo Grande: usuarios denuncian retrasos, hacinamiento y abandono
Em meio ao processo de venda do Consórcio Guaicurus e às reviravoltas sobre quem administra o transporte coletivo de Campo Grande, o passageiro vê 2026 como mais um ano em que depende de um serviço ruim para levar a rotina. O Campo Grande News foi às ruas nesta quinta (29) e sexta-feira (30) nos horários de pico, para ver de perto o que milhares de trabalhadores, estudantes, idosos e pessoas com deficiência passam em seus trajetos diários. Na quinta-feira à tarde, num teste realizado pela reportagem no Ponto PegFácil do Shopping Campo Grande, a linha 061, programada para partir às 17h03, só encostou às 17h13, acumulando dez minutos de atraso. Ao desembarcar no Terminal Morenão por volta das 17h50 e fazer a baldeação para a linha 087, houve novo atraso e superlotação. O ônibus seguiu completamente cheio, forçando pessoas a ficarem nos degraus da porta de desembarque, embora seja proibido, como alerta um adesivo colado na própria porta do veículo. "É um castigo", desabafa trabalhador - Entre mais de 10 entrevistados, a maioria dos que trabalham ou estudam leva cerca de duas horas para ir e mais duas horas para voltar, entre esperas nos pontos de ônibus e terminais, baldeações e caminhada até em casa. A agonia de gastar tanto tempo com transporte é anestesiada rolando as redes sociais, ouvindo música ou estudando. A vendedora e estudante Karolayne Recalde começou a aproveitar o trajeto para fazer o curso teórico exigido para tirar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação) e abandonar de vez a vida de passageira. Ela planeja trocar o ônibus pela motocicleta, embora saiba que o trânsito é mais perigoso sob duas rodas. "Tem mais de 10 anos que uso o transporte. Acredito que só piora. Atrasa, falta ônibus. Passou da hora de aumentar a frota, contratar mais motoristas", ela diz. A incerteza sobre os horários das paradas afeta diretamente a vida do pedreiro Ivan das Neves, que trabalha numa construtora da região central e utiliza a linha 061 no final do percurso. Para sair do Parque do Sol, passar pelo Bairro Aero Rancho e chegar ao trabalho às 7h, ele precisa sair de casa entre 4h e 5h30 da manhã. “Se sair de casa mais tarde, chega atrasado”, explica Ivan. Ele costuma desembarcar por volta das 6h10 perto do serviço para evitar imprevistos. Na volta para casa, a partir das 17h, o pedreiro enfrenta mais de uma hora e meia de viagem marcada por esperas nos semáforos, trânsito intenso e mais atrasos. Ivan afirma que a linha 061 falha constantemente no cumprimento dos horários. “Parece que não tem horário. Passam antes do horário, passam depois do horário. Nossa, é horrível, horrível. É um castigo!”, lamenta o passageiro. Pedreiro também, Cássio da Silva Marques voltou a andar de ônibus após sofrer um acidente de moto, há seis anos. Sai do Bairro Jardim Colúmbia por volta das 5h na linha 210, pega o 072 e chega na obra em que está trabalhando, no Bairro Chácara Cachoeira, perto das 8h. A mochila e o balde que carrega com ferramentas de trabalho quase não cabem nos veículos cheios. "Na hora de voltar para casa, é a mesma demora, o mesmo aperto. Geralmente fico em pé. Chego tão cansado que é só para dormir", conta. Espera longa mesmo em trajeto pequeno - A espera nos pontos é a principal queixa do estudante Cristian de Jesus. Usuário da linha 070 no Terminal Morenão, ele relata que passa mais tempo aguardando ônibus do que no trânsito até o destino. Além da superlotação, aponta a precariedade na manutenção. Segundo Cristian, nos dias de chuva, a água infiltra no veículo, o que aumenta o desconforto dos passageiros. Para o estudante, a melhoria imediata passa pelo aumento da frota nas ruas. “Muito ruim. É cheio demais, quando chove entra água, com certeza. Tinha que ter mais ônibus rodando, né?”, completa Cristian. No mesmo terminal, só bebe água quem tem garrafinha ou carrega algum copo, já que o bebedouro tem apenas torneiras. Os banheiros não têm papel higiênico, sabonete para lavar as mãos e vivem com o chão molhado e cheirando a urina. Infiltração e beiras das passarelas quebradas, com ferro aparente, são outros problemas. Os nomes e números das linhas foram impressos e plastificados, já que as placas mais antigas não estão à vista dos passageiros com dificuldade de enxergar. Duas horas para ir e duas para voltar - O impacto na qualidade de vida é ainda mais severo para a doceira Rosa Maria Pontes, moradora do Bairro Moreninhas. Para chegar ao trabalho na região do Terminal Hércules Maymone, ela precisa utilizar três ônibus diferentes, o que totaliza quase duas horas em cada percurso. “A gente cansa mais indo e voltando do trabalho do que trabalhando. Esse trajeto que a gente faz, de descer no terminal... eu fico mais tempo nos terminais. Às vezes eu desço, é 20 minutos, meia hora no terminal esperando, porque às vezes o ônibus está lotado, não tem como entrar”, desabafa Rosa. A doceira conta que sai de casa às 6h para conseguir iniciar o expediente às 8h. Ela destaca que a oferta no final do bairro é precária e que a frota sofre com a falta de manutenção. “Sempre tem um ônibus quebrado, sempre tem ônibus com algum problema. Então eu acho assim, que está bem precário mesmo”. A superlotação também desgasta a convivência entre os usuários. Rosa relata que o bloqueio das portas por passageiros que recusam ir para o fundo do veículo é motivo frequente de atritos. “Fica tudo ali, próximo da porta. Aí você vê que tem espaço, e para conseguir passar e ir para o fundo, às vezes dá até briga”, conta. Desrespeito ao preferencial e cortes de ônibus - Para os idosos, os obstáculos no transporte se somam à falta de empatia, como relata a aposentada Enilda Odete. Moradora do Bairro Centro-Oeste, ela utiliza a linha 113 e enfrenta longos períodos de espera para conseguir chegar ao Bairro Rouxinóis. Em uma das viagens, chegou ao terminal às 18h20 para aguardar uma linha programada para as 19h40. Enilda conta que viaja frequentemente em pé e que nem sempre os passageiros respeitam o assento preferencial. “Às vezes tem pessoas educadas que cedem o lugar, mas às vezes tem uns que ficam no celular e fingem que não ouvem”, relata. A aposentada chama a atenção para a retirada dos ônibus de reforço após o encerramento do período escolar, o que aumenta a demora e o aperto nos veículos para os demais usuários. Para ela, a solução exige mais ônibus rodando e mais opções de itinerários na Capital. “Eu acho assim que poderia ter mais ônibus, né? Mais opção para a gente. Porque durante o trajeto das crianças da escola eles põem reforço, mas depois tiram. Fica difícil”, conclui. Com fibromialgia e depressão grave, Vilma Coimbra tem direito ao passe livre. Vai de ônibus para tudo quanto é lugar porque não tem alternativa. A trepidação dos veículos nas ruas sem asfalto ou "cheias de remendos", como ela fala, piora suas dores no corpo. "A cada 'bateção' dessa eu sofro. As pessoas acham que é mentira, então eu nem gosto de falar", afirma. Quem desistiu - O Campo Grande News também ouviu pessoas que desistiram de esperar uma melhora e migraram para outros meios de transporte. É o caso do designer Vitor Benitez. Ele mora no Bairro Tiradentes e trabalha num edifício ao lado do Shopping Campo Grande. Leva de 15 a 20 minutos de bicicleta na ida e na volta e optou por isso também sabendo que o trânsito é mais hostil para os ciclistas. Ywlly Adolfo é gerente de loja e mora perto do trabalho. Deixou de pegar ônibus há dois anos e atualmente vai de patinete elétrico. Chega rápido e, segundo ele, economiza em relação ao preço da passagem. Para ele, os atrasos e a falta de ar-condicionado são os principais pontos que precisam de mudança. "É muito ruim. A gente poderia estar muito melhor. Não sei o que acontece em Campo Grande que entra prefeito e sai prefeito, muda empresa, e não muda nada", finaliza. Outro lado - A reportagem questionou o grupo interventor do Consórcio Guaicurus e a prefeitura sobre a insatisfação dos usuários e os rumos do transporte coletivo em Campo Grande. Em nota, a Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito) esclareceu que, mesmo com a atuação do grupo interventor no transporte coletivo, mantém suas atividades regulares de fiscalização, conforme previsto na Lei nº 4.584/2007, incluindo o cumprimento dos horários, as condições de conservação dos veículos e a qualidade dos serviços prestados à população de Campo Grande. Em relação à situação do Terminal Morenão, a Agetran informou que "acompanha as demandas de manutenção e conservação da estrutura, buscando os encaminhamentos necessários para garantir condições adequadas de atendimento aos usuários". Já o grupo interventor não enviou posicionamento. O espaço segue aberto.
martes, 3 de noviembre de 2026, 09:21
BR
campograndenews
En el marco del proceso de venta del Consórcio Guaicurus y las constantes incertidumbres sobre la administración del transporte colectivo en Campo Grande, los usuarios de la capital se encuentran atrapados en un sistema que consideran deficiente. Para miles de ciudadanos, la perspectiva de cara al 2026 no es de mejora, sino de una dependencia forzada de un servicio que afecta drásticamente su calidad de vida y su rutina diaria.
Un seguimiento realizado durante los horarios pico de un jueves y viernes permitió constatar la gravedad de la situación. Las deficiencias no se limitan a un solo sector, sino que abarcan retrasos sistemáticos, superlotaos en las unidades y una alarmante falta de mantenimiento tanto en los autobuses como en las infraestructuras de transferencia, específicamente en el Terminal Morenão. Muchos pasajeros reportan que dedican hasta cuatro horas diarias únicamente a los trayectos de ida y vuelta, enfrentando largas esperas y un notable desrespeto a los asientos preferenciales.
La precariedad del servicio fue evidenciada en pruebas directas. El jueves por la tarde, en el Ponto PegFácil del Shopping Campo Grande, la línea 061, programada para partir a las 17:03, llegó con diez minutos de retraso. Al llegar al Terminal Morenão alrededor de las 17:50 para realizar el trasbordo a la línea 087, la situación se agravó con nuevos retrasos y una superlotaos extrema. Se observó a pasajeros viajando en los escalones de la puerta de desembarque, una práctica prohibida según la señalización del propio vehículo, pero recurrente debido a la falta de espacio.
Para los usuarios, el transporte se ha convertido en un "castigo". Entre los testimonios recolectados, predomina la angustia de quienes trabajan o estudian y pierden cuatro horas al día entre esperas, trasbordos y caminatas. Karolayne Recalde, vendedora y estudiante, relata que utiliza el tiempo de viaje para estudiar la teoría de conducir, con el objetivo de adquirir una motocicleta y abandonar definitivamente el autobús. Según Recalde, quien usa el servicio hace más de diez años, el sistema solo empeora y es urgente aumentar la flota y contratar más conductores.
La incertidumbre en los horarios afecta severamente a trabajadores como Ivan das Neves, un albañil que debe salir de su casa entre las 4:00 y las 5:30 de la mañana para llegar a su empleo a las 7:00. Neves denuncia que la línea 061 no cumple con los horarios, pasando a veces antes o después de lo previsto, lo que lo obliga a llegar con mucha antelación a su destino para evitar imprevistos. En el sentido contrario, el regreso a casa se convierte en una odisea de más de una hora y media marcada por el tráfico intenso y los retrasos.
Otros usuarios, como Cássio da Silva Marques, también albañil, enfrentan la dificultad de transportar herramientas en vehículos saturados. Marques, quien regresó al autobús tras un accidente de moto, describe el cansancio extremo al llegar a su hogar después de viajar hacinado y permanecer la mayor parte del tiempo de pie.
La infraestructura también es motivo de queja. Cristian de Jesus, estudiante que utiliza la línea 070, señala que pasa más tiempo esperando que viajando. Además, denuncia la falta de mantenimiento, asegurando que durante los días de lluvia el agua se filtra al interior de los autobuses. Por su parte, el Terminal Morenão presenta condiciones deplorables: los bebedouros solo tienen grifos (obligando a los usuarios a llevar sus propios recipientes), los baños carecen de papel higiénico y jabón, y presentan suelos mojados con olor a orina. Asimismo, existen pasarelas rotas con hierro expuesto e infiltraciones en la estructura.
El impacto es aún más severo para personas como Rosa Maria Pontes, una repostera que debe tomar tres autobuses diferentes para llegar a su trabajo, dedicando casi dos horas por trayecto. Pontes afirma que se cansa más en el traslado que en el trabajo mismo, denunciando además que el hacinamiento genera conflictos y peleas entre los pasajeros que se niegan a ceder el espacio hacia el fondo del vehículo.
La situación de los grupos vulnerables es crítica. Enilda Odete, jubilada, relata la falta de empatía de algunos pasajeros que ignoran los asientos preferenciales. Además, advierte que los autobuses de refuerzo son retirados inmediatamente después del horario escolar, perjudicando al resto de los usuarios. Por otro lado, Vilma Coimbra, quien padece fibromialgia y depresión grave, explica que la trepidación de los vehículos en calles mal asfaltadas intensifica sus dolores físicos.
Ante este escenario, algunos ciudadanos han optado por migrar a medios de transporte alternativos. Vitor Benitez, diseñador, ahora utiliza la bicicleta, mientras que Ywlly Adolfo, gerente de tienda, optó por el patinete eléctrico para ahorrar dinero y evitar la falta de aire acondicionado y los retrasos.
Consultados sobre estos hechos, la Agencia Municipal de Transporte y Tránsito (Agetran) informó que mantiene sus actividades de fiscalización sobre los horarios y la conservación de los vehículos. Sobre el Terminal Morenão, aseguraron que acompañan las demandas de mantenimiento para garantizar condiciones adecuadas. El grupo interventor del Consórcio Guaicurus no envió respuesta a las solicitudes de información.